| | Ações solitárias sofrem por não ter comparação
Como comparar o rendimento das ações solitárias
Fusões e aquisições entre empresas brasileiras e o aumento em bolsa criaram um cenário adverso para investidores e analistas que se tornaram únicas em seu ramo de atuação. o caso de OdontoPrev e Drogasil, que não têm concorrentes na bolsa.
Empresa solitária prejudica investidor Possivel falta de Iiquidez é apenas um dos aspectos negativos de companhias como Drogasil e OdontoPrev, entre outras, as únicas de seus setores em bolsa. P38
Ações solitárias sofrem por não ter comparação
O movimento de fusões e aquisições entre empresas brasileiras e o recente aumento do número de companhias com capital aberto têm criado um cenário adverso para investidores e analistas que acompanham empresas que se tornaram únicas em seu ramo de atuação. o caso de Drogasil e OdontoPrev.
"Por sermos os únicos com ações listadas na BM&FBovespa, tenho de ensinar ao mercado como é minha atividade", ressalta Cláudio Roberto Ely, diretor-presidente e de relações com investidores (RI) da Drogasil. Embora a companhia esteja classificada dentro do macrossetor Saúde, o executivo entende que a estrutura operacional da Drogasil é mais parecida com a de uma rede varejista do que com um laboratório farmacêutico, por exemplo.
Já a operadora de planos odontológicos OdontoPrev teve de apresentar ao mercado não só o setor de atuação, como também O modelo de negócio. "Se hoje os planos odontológicos não são amplamente conhecidos, imagina como era em 2006, quando abrimos o capital", destaca José Roberto Pacheco, diretor de RI e controladoria da Odontoprev. Ele lembra que a companhia é a única do setor odontológico a ter capital aberto não só no Brasil, mas também no mundo. Segundo Pacheco, o trabalho de educação de investidores e analistas não é simples. "Já tivemos apenas duas corretoras cobrindo nossos papéis e hoje são 15 casas. Quanto aos investidores, não atingimos toda a gama que poderíamos. Nosso desafio é aproximar a companhia de investidores especializados no setor de saúde. Por dia, o segmento (no âmbito mundial) movimenta mais do que a BM&FBovespa", diz.
Investidor
Especialistas afirmam que ter apenas uma companhia em um setor é negativo para os investidores. "Ter apenas uma companhia listada em bolsa, é ruim por dois motivos. O primeiro é a possibilidade precária de diversificação. a investidor fica suscetível à administração da companhia. O segundo motivo é liquidez. Muitas vezes, os fundos de investimento seguram o papel em suas carteiras, o que reduz sua movimentação", ressalta Ricardo Almeida, professor de finanças do lnsper (ex-lbmec-SP).
Além disso, o investidor fica sem base de comparação. "Quando há duas companhias de um mesmo setor listadas em bolsa, elas competem entre si não só na obtenção de melhores resultados, mas também na forma de divulgá-los ao mercado. Com isso, o analista pode escolher qual companhia tem os melhores fundamentos e indicá-la aos investidores", aponta o professor do Insper.
A visão de um analista é parecida. " mais difícil para um analista não ter base de comparação. Ou você já tem uma noção do que está acontecendo no segmento, ou tem de buscar outras formas de comparação, inclusive com informações no exterior", explica Wagner Salaverry, sócio-diretor da Geração Futuro.
Tanto o executivo da Drogasil quanto da OdontoPrev afirmam que seria bem-vinda uma companhia em seus respectivos setores listar ações na BM&FBovespa. "Teríamos uma base de comparação mais direta. Mas também vemos que o grau de pesquisa e entendimento do mercado é crescente" , completa o diretor de RI e controladoria da OdontoPrev.
Outras empresas
Mas não são apenas as empresas do setor de saúde que estão sozinhas em seus respectivos setores. O sócio-diretor da Geração Futuro citou outras empresas solitárias seus setores de atuação: Natura, SLC Agricola, Ambev, Pão de Açúcar, BM&FBovespa, Cetip, ALL, Embraer, Romi, Localiza, Marcopolo, Brasilecodiesel, Lupatech, Magnesita, ABnote, Net, Positivo, DaL, Totvs. |
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