| | Investigados fundos que cobram demais
órgão fiscalizador está de olho em aplicações que descontam de 8% a 11% ao ano do investidor Marcos Burghi, marcos.burghi@grupoestado.com.br
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está investigando fundos de investimento em renda fixa e fundos DI por prometer rendimentos que não podem atingir em virtude das taxas de administração cobradas dos investidores.
Francisco Santos, superintendente de Relações com Investidores Institucionais da CVM, afirma que no momento estão em análise três casos de fundos que prometem pagar rendimento total equivalente ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), operação de empréstimo entre instituições financeiras, que deve fechar 2010 perto de 9%, enquanto cobram taxa de administração entre 8% e 11% ao ano. Não vamos tirar conclusões precipitadas , diz.
De acordo com o superintendente da CVM, caso fique comprovada a propaganda enganosa, cabe processo administrativo e, no limite, o encerramento do fundo. Santos ressalta que o problema não é o valor da taxa de administração, que não é e tampouco será tabelada, mas sim a viabilidade de proporcionar um rendimento que é tolhido justamente pela taxa de administração.
O economista Tharcisio Souza Santos, coordenador do MBA Executivo da Fundação Armando lvares Penteado (Faap), afirma que quanto menor a taxa de juros maior o estrago provocado no rendimento pela taxa de administração, valor cobrado pelas instituições financeiras para gerenciar o investimento. Fundos com taxas acima de 1,5% ao ano são desaconselháveis no momento , afirma.
O professor William Eid Júnior, da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo(FGV/SP), avalia como positiva a atitude da CVM, mas vê problemas para alguma decisão prática após a fiscalização. Não será possível tabelar as taxas e a falta de informação de parte dos investidores acontece porque muitos não leem os regulamentos dos fundos , afirma.
Para Alexandre Chaia, professor do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, o ideal seria os bancos oferecerem rendimentos entre 60% ou 70% do rendimento do CDI, algo em torno de 5,4% e 6,3% ao ano de acordo com as projeções do mercado.
Luiz Simões, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), afirma que o melhor é a comparação das taxas de administração além da rentabilidade. No longo prazo, acima de um ano, ninguém paga muito diferente do concorrente , observa.
MARCOS BURGHI
marcos.burghi@grupoestado.com.br
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