Rafael Hupsel/Folha Imagem
O embrião da Livraria Sol, na Liberdade, em São Paulo, foi a venda de livros japoneses usados para atrair imigrantes saudosos
MARIANA IWAKURA
DA REPORTAGEM LOCAL
DIOGO BERCITO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
No início da década de 1930, o menino Yoshiro Fujita saiu do Japão com a família e foi morar no Paraná, para trabalhar em um cafezal. Aos 18 anos, mudou-se para São Paulo.
Quando a empresa em que trabalhava faliu, Fujita começou a vender livros japoneses usados -produtos atraentes para imigrantes saudosos.
Esse foi o embrião da Livraria Sol, que existe até hoje no bairro da Liberdade, em São Paulo, e é administrada pelo filho e pela nora de Fujita -que, agora, tem 88 anos.
A história dessa livraria é parecida com a de muitos negócios criados por imigrantes japoneses que fundaram pequenas lojas, quitandas, sapatarias e outros empreendimentos.
Fujita abriu também uma editora e uma fábrica de luvas, e as atribuições foram divididas entre os familiares. 'A livraria fica sob minha responsabilidade, e o meu marido cuida da fábrica de luvas', explica a nora de Fujita, Mitiê Urayama.
'Os japoneses vieram para o Brasil para trabalhar no campo. Abriram negócios porque a terra não dava o resultado que esperavam', aponta Marcos Hashimoto, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Ibmec São Paulo.
Esses negócios, diz Hashimoto, foram favorecidos pelo modelo de gestão japonês, que inclui perseverança e aplicação e uma ajuda da comunidade de imigrantes e descendentes.
Adaptação e família
Segundo Rogério Yuji Tsukamoto, coordenador da área de gestão de empresas familiares da FGV-Eaesp (Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas), mesmo com as dificuldades impostas pelo idioma e pelas diferenças de cultura, os empresários japoneses adaptaram-se bem ao Brasil. 'Eles não reclamam da burocracia. Fazem o que têm de fazer.'
Esses empreendedores começam agora a se preocupar com a sucessão nas empresas. 'Eles criaram os filhos para que tivessem carreiras fora da empresa familiar', diz Tsukamoto.
No restaurante e loja de produtos alimentícios Sukiaki, aberta por Yasuko Saito e seu pai, Takashi Morita, todos participam da gestão.
'O trabalho aqui é sempre em família, e não brigamos', diz Clara Morita, 55, cunhada da fundadora. 'Meu marido, que é arquiteto, e meu cunhado, que é médico, também são colaboradores. Superamos as divergências tranqüilamente.'