| | Ipea: a ritmo atual, Brasil terá só 4% de pobres em 2016, nível de país rico
Desigualdade cai mais devagar e, em seis anos, voltaria ao patamar de 1960
Ronaldo D Ercole e Adauri Antunes Barbosa S O PAULO. O número de pessoas vivendo em condições de extrema pobreza no Brasil (renda per capita mensal de até 25% do salário mínimo, ou R$ 127,50) caiu em média 2,1% ao ano entre 2003 e 2008, enquanto o contingente dos que vivem na pobreza (ganhos de até meio mínimo, ou R$ 255) recuou a taxas médias anuais de 3,1%. Se esses indicadores mantiverem este ritmo de redução, até 2016 o país terá erradicado a miséria (que atingia 10,5% dos brasileiros em 2008) e reduzido de 28,8% para 4% da população, patamar de país desenvolvido, o número de pobres.
A conclusão é do estudo Pobreza, Desigualdade e Políticas Públicas , divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O crescimento econômico é muito necessário para reduzir a pobreza, mas não é suficiente para diminuir a desigualdade no país observou o presidente do Ipea, Márcio Pochmann.
Analistas: saúde e educação devem ser levadas em conta De fato, no mesmo período em que a pobreza recuou 3,1% no país, a desigualdade de renda medida pelo ndice de Gini caiu ao ritmo de só 0,7% ao ano. Em 2008, o Gini do Brasil era de 0,54 o indicador varia de zero a 1 e, quanto maior, pior um dos mais altos do mundo. Mantido o ritmo atual, o Ipea estima que em 2016 o indicador de desigualdade no Brasil chegaria a 0,48, um pouco abaixo do índice de 0,49 que o país ostentava em 1960.
Mas o fato de o país conseguir reduzir pobreza e desigualdade simultaneamente é visto como uma virtude pelo Ipea. Em países desenvolvidos, como os Estados Unidos e a Alemanha, por exemplo, entre 2000 e 2005 a desigualdade cresceu, 1,5% e 5,7%, respectivamente.
O Brasil não lidera o ranking de redução de pobreza nem de desigualdade no mundo.
O importante é que estamos conseguindo fazer as duas coisas ao mesmo tempo, o que é uma singularidade do Brasil disse Pochmann.
O economista Flávio Comim, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), questiona os critérios utilizados pelo Ipea para a definição de miséria.
Se a pessoa tem um rendimento, por exemplo, de um quarto do salário mínimo mais R$ 1, ela saiu da miséria? importante notar que não é só um critério estatístico que vai ser fidedigno à redução da miséria.
Não é só pela renda que a pobreza e a miséria podem ser avaliadas. preciso ver se a população tem escola, se passa por humilhação quando procura por trabalho para sobreviver ou por tratamento de doenças da família ponderou Comim.
China influenciou redução da pobreza no mundo Na mesma linha, o professor Otto Nogami, do Insper (exIbmec São Paulo), questiona as projeções do Ipea.
impossível chegar a esse objetivo porque a miséria não se mede só pela renda, mas também com outros fatores, como saúde, educação, trabalho, segurança disse Nogami.
Tomando dados do Banco Mundial, o estudo do Ipea mostra que, entre 1981 e 2005, houve uma queda de 27% no número de pobres no mundo 520 milhões de pessoas deixaram a miséria. Esse processo, contudo, foi fortemente influenciado pelo avanço das economias do Leste Asiático e dos países do Pacífico, onde nos 24 anos até 2005, 755,3 milhões de cidadãos saíram da pobreza.
A expansão da China teve impacto sobre a redução da pobreza mundial explicou Pochamnn |
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